A história da Casa de Chá

Há mais de meio século, um grupo de senhoras corajosas juntou-se em Lisboa para apoiar os doentes de tuberculose - demasiadas vezes postos de lado pelo resto da sociedade. 

conselho do Cardeal Cerejeira, este grupo organizou-se como Grupo de Vicentinas da Obra de Nossa Senhora do Amparo, lançando assim as bases para a fundação da Casa de Chá uns anos mais tarde. 

Tudo começa quando, por volta de 1956, o grupo é desafiado pelo padre Américo a dar apoio ao bairro da Curraleira: uma zona de Lisboa onde reinava a pobreza, o alcoolismo e o desemprego. Representantes da alta sociedade lisboeta empenham-se na causa e chegam à conclusão de que uma das formas de ajudar aquelas famílias era ensinando uma arte - a costura - que pudesse trazer rendimentos extra; mas mais importante, criar uma fonte de auto confiança e estabilidade para os habitantes do bairro. 
 
Criou-se um atelier onde cerca de 50 mulheres começaram a aprender esta arte, orientadas por duas modistas. A Obra de Nossa Senhora do Amparo arranjava os tecidos e as máquinas de costura, e os trabalhos feitos eram vendidos sobretudo na época do Natal, em vendas organizadas. O sucesso chegou rapidamente. As Vicentinas, inspiradas pelas suas viagens às capitais da moda, como Paris ou Milão, davam a conhecer às mulheres do bairro da Curraleira os últimos "gritos da moda". Nascidos de mãos trabalhadoras, estes modelos de topo ‘made in Portugal' desfilavam pelos palcos de Lisboa; e o projecto atingiu dimensões consideráveis. 

Com isto, começou a ser necessário um espaço onde os modelos pudessem estar expostos de forma constante. E foi assim que na década de 1950, e com a ajuda da Câmara Municipal de Lisboa, um antigo armazém de bananas se transformou numa passerelle. A quem vinha assistir aos desfiles, as Vicentinas ofereciam chá e scones, dando assim origem aos que muitos aclamam ser O Melhor Lanche de Lisboa.

Do grupo original de Vicentinas restam apenas dois membros. Por esta razão, o pároco de Santa Isabel, padre José Manuel Pereira de Almeida, foi desafiado em 2011 a não ‘deixar morrer’ este espaço. Fiel aos princípios das Vicentinas, a agora designada Casa de Chá de Santa Isabel contribui com a totalidade dos seus lucros para as obras sociais da Paróquia de Santa Isabel.

Só a história saberá quando os desfiles desapareceram e os scones passaram a ter o papel principal. O que se sabe é que este espaço foi e ainda é a sala de estar favorita de muitas famílias e grupos de amigos - recentemente remodelado, convida a tardes inteiras de conversas daquelas que à mesa parecem saber melhor. 

E como não podia deixar de ser, mantemo-nos fieis à receita original dos famosos scones das Vicentinas, que ao longo dos anos foram conquistando cada vez mais adeptos e são considerados por quem os prova como “os melhores scones do mundo”.